Ultimate Homem-Aranha nº 1 — Pai de Família
Roteiro: Jonathan Hickman
Arte: Marco Checchetto e David Messina
Pai de Família marca o início de uma nova etapa para o Homem-Aranha no Universo Ultimate, que foi reestruturado pela Marvel.
A ideia de Jonathan Hickman é muito intrigante: e se Peter Parker não tivesse se transformado no Homem-Aranha durante a adolescência, mas sim quando já fosse um homem adulto, casado e pai de família?
Em vez de seguir mais uma vez a origem clássica do herói, a HQ traz um Peter Parker que já formou uma família, possui responsabilidades e precisa lidar com a sensação de que uma parte crucial de seu destino foi tirada dele.
1. Uma nova vida para Peter Parker
Nesse contexto, Peter é casado com Mary Jane e pai de Richard e May. Sua rotina está bem longe da imagem típica do herói adolescente que busca equilibrar a escola, os relacionamentos e as primeiras vivências como vigilante.
A principal diferença é que Peter não foi picado pela aranha radioativa quando era jovem. Sua vida seguiu outro caminho, até que uma intervenção ligada ao novo Universo Ultimate lhe oferece a possibilidade de recuperar aquilo que deveria ter sido seu destino.
Essa premissa altera a definição de responsabilidade heróica. O Peter tradicional precisa aprender a amadurecer ao lidar com as consequências de suas decisões; neste caso, temos um homem que já amadureceu, mas precisa decidir se está disposto a arriscar a estabilidade que alcançou.
Assim, a família não é apenas um elemento para tornar o protagonista mais humano. Ela se torna um elemento crucial do conflito: Peter não luta apenas para proteger estranhos, mas também tem muito mais a perder se sua vida como Homem-Aranha arruinar tudo o que ele construiu.
2. Pontos fortes e possíveis limitações
O principal acerto é a escolha de iniciar a trama com um Peter Parker que já tem uma família. Isso possibilita a exploração de um aspecto menos comum do personagem, mantendo os elementos que o tornaram famoso: a insegurança, o senso de responsabilidade e a prontidão para auxiliar os demais.
Outro aspecto positivo é a forma como Hickman levanta questões para o futuro. A pesquisa de Jameson, as conexões entre os personagens e as transformações no universo indicam uma história que transcende a mera estréia de um novo uniforme.
Em contrapartida, o ritmo pode não agradar aqueles que esperam uma aventura tradicional do Homem-Aranha. Uma parte da edição é destinada à introdução desse universo e à criação dos conflitos, de forma que o desenvolvimento de certos personagens e mistérios permanece pendente. Além disso, o roteiro aborda uma conspiração de grande escala que pode parecer mais intrigante por suas possibilidades futuras do que por suas respostas imediatas.
Isso não quer dizer que a narrativa seja lenta em todos os momentos; Hickman apenas está preparando uma história de longo prazo, ao invés de concluir tudo no primeiro volume.
3. Vale a pena ler?
Sim. Ultimate Homem-Aranha nº 1 — Pai de Família é uma excelente introdução a uma versão distinta de Peter Parker, particularmente para aqueles que apreciam narrativas que mesclam desenvolvimento de personagens, conspirações e arte minuciosa.
A HQ não transforma completamente a natureza do Homem-Aranha. Sua originalidade reside em mudar o momento em que Peter adquire seus poderes e, por consequência, as responsabilidades que já possui ao iniciar sua jornada como herói.
O resultado é uma narrativa sobre a chance de resgatar um destino esquecido sem desconsiderar o que já foi alcançado. Peter não precisa aprender a ser adulto; ele precisa descobrir como se transformar em um herói mantendo seu papel de marido e pai.
Este primeiro volume é digno de nota para aqueles que gostam de histórias em quadrinhos nas quais o enredo e a arte colaboram para desenvolver personagens e cenários. Trata-se de uma releitura promissora, com uma premissa sólida e potencial para se desenvolver nos próximos volumes.


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