Tex, O Grande

- Ficha Técnica

. Título original: Tex – Il Grande!
. Roteiro: Claudio Nizzi
. Arte (desenhos): Aurelio “Galep” Galleppini
. Editora original: Sergio Bonelli Editore
. Ano de publicação (Itália): 1988
Gênero: Western / Aventura

- Resenha

Tex, O Grande — primeiro volume da série Tex Gigante — é um trabalho que se desenvolve mais pela confirmação deliberada de uma linguagem clássica do que pela busca de inovação.  A força do álbum reside na combinação cuidadosa entre o roteiro de Claudio Nizzi e a arte de Aurelio “Galep” Galleppini, que trabalham juntos para fazer de Tex Willer não só o protagonista de uma aventura, mas também um ícone narrativo do western moral.

O roteiro de Nizzi é intencionalmente claro.  A história se desenrola como um faroeste de linhas nítidas, em que o conflito surge da injustiça institucional e é resolvido pela ação decidida e sensata de Tex.  Não há introspecções psicológicas profundas nem ambiguidades morais complexas; a clareza ética é o que impulsiona a narrativa.  Essa decisão ressoa perfeitamente na arte de Galep, cujo estilo claro e funcional sempre priorizou a legibilidade da ação e o desenvolvimento dramático.

O formato ampliado do álbum intensifica essa integração.  Galep utiliza páginas mais extensas para estruturar cenas com composição aberta, facilitando a compreensão visual do espaço desértico, das cidades fronteiriças e dos confrontos armados em uma primeira leitura.  A narrativa visual quase nunca fragmenta o tempo, predominando quadros amplos, sequências ininterruptas e um ritmo quase cinematográfico, refletindo a linearidade do roteiro.  Texto e imagem coexistem harmoniosamente, sem rivalidade; o desenho não tem a intenção de impressionar, mas de apoiar a narrativa com total clareza.

Essa nitidez é mantida no uso do preto e branco.  Galep emprega o contraste de maneira econômica, destacando silhuetas, expressões faciais e gestos corporais.  Tex é frequentemente retratado de forma central ou dominante nas cenas, reforçando visualmente o papel que o roteiro lhe confere: o de núcleo moral da história.  Não se trata de um herói indeciso; seu corpo preenche o espaço com confiança, e essa presença espacial se converte em uma expressão visual.

Sob a perspectiva da mise-en-scène, a arte atua como uma extensão do texto.  Quando o enredo se desacelera, a animação acompanha com cenas mais reflexivas; quando a violência surge, ela é rápida, direta, sem exageros de glamourização.  Não há exagero gráfico nem estilização agressiva, o que enfatiza que a violência é um recurso narrativo, e não um show.  Essa simplicidade visual reforça o caráter ético do roteiro.

Críticos poderiam notar uma rigidez formal no álbum, especialmente em comparação com volumes posteriores da linha Gigante, que são mais audaciosos em termos estéticos e narrativos.  No entanto, essa rigidez é tanto estrutural quanto intencional.  Tex, O Grande atua como uma afirmação de princípios: antes de desmantelar o mito, era preciso confirmá-lo.  A combinação de texto e imagem cria um Tex quase monumental, cuja magnitude não se deve à inovação formal, mas à consistência entre o que é apresentado e o que é exibido.

Dessa forma, o livro se sobressai mais pela harmonia da narrativa do que pela surpresa.  Roteiro e arte funcionam como componentes de um mesmo mecanismo clássico, resultando em um western sólido, compreensível e solene.  Tex, O Grande não só expande Tex no formato físico, mas também o eleva ao status de mito gráfico, no qual cada quadro confirma visualmente o que o texto afirma: Tex Willer é a personificação de uma justiça clara, firme e inabalável.

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