. Ficha Técnica
- Título original: Lost on a Mountain in Maine
- Ano de lançamento: 2024
- Gênero: Drama / Aventura / Sobrevivência
- Duração: 98 minutos
- Direção: Andrew Boodhoo Kightlinger
- Roteiro: Andrew B. Kightlinger e Luke David Blumm (adaptação do livro homônimo de Donn Fendler e Joseph B. Egan)
- Baseado em: Lost on a Mountain in Maine (livro de memórias de Donn Fendler, publicado em 1939)
. Elenco principal
- Luke David Blumm — Donn Fendler
- Paul Sparks — Henry Fendler (pai de Donn)
- Caitlin Fitzgerald — Mary Fendler (mãe de Donn)
- Kristen Harris — Eleanor
- Nick Heyman — Chefe de resgate
- Ben Cain — Policial do Maine
. Resenha
Inspirado em um fato verídico de 1939, Perdido na Montanha narra a experiência quase mítica de Donn Fendler, um menino de 12 anos que sobreviveu por nove dias perdido nas montanhas do Maine. O filme, dirigido por Andrew Boodhoo Kightlinger, oscila entre um drama de formação e um relato de sobrevivência, focando menos na espetacularização do perigo e mais no desenvolvimento íntimo de um personagem que enfrenta os limites da vida.
1 - Natureza como personagem
O filme se destaca pela forma como aborda a paisagem natural. As montanhas, florestas e o nevoeiro constante vão além de um simples cenário — constituem uma presença pulsante, quase consciente, que influencia as atitudes do protagonista. A utilização de planos abertos e uma fotografia fria e úmida, assinada por Michael Welle, converte a natureza em uma força moral e espiritual, fazendo com que o espectador reflita sobre o fato de que o isolamento pode ser tanto uma forma de punição quanto de revelação.
Essa ambientação enfatiza que a sobrevivência física de Donn é também uma jornada interna, um rito de passagem entre a inocência e a experiência — um tema importante no romantismo americano e que aparece em outras histórias de confronto com a natureza selvagem, como Na Natureza Selvagem e O Regresso.
2 - O olhar infantil e a dimensão simbólica
O filme gira em torno da atuação de Luke David Blumm. Sua interpretação foge do heroísmo simplista e valoriza a vulnerabilidade. A câmera costuma focar em seus olhos aterrorizados, permitindo que o público vivencie o medo, o delírio e, gradualmente, a tenaz esperança que o mantém vivo.
O trajeto de Donn possui uma dimensão simbólica: ele se perde na montanha, porém descobre uma forma de consciência espiritual. A busca de uma rota interior é equivalente à perda da rota física — e o filme, mesmo de forma sutil, sugere essa interpretação por meio de pequenos elementos visuais (a luz que atravessa a névoa, o som distante do vento, as recordações familiares).
3 - Estilo e ritmo
A direção de Kightlinger é contida e reflexiva. O diretor escolhe um realismo sensorial quase meditativo, em vez de explorar a adrenalina ou o suspense. Essa opção confere autenticidade à história, porém pode desinteressar o público habituado a enredos de sobrevivência mais envolventes.
O ritmo é pausado, com silêncios prolongados e uma edição que prioriza a observação. Em alguns momentos, essa lentidão se torna um fardo; contudo, ela retrata com exatidão o período de solidão e espera, conectando o público à vivência psicológica do menino.
4 - Trilha e atmosfera
A trilha sonora de Chris Dudley é discreta e atmosférica, sem cair no sentimentalismo. Ela segue o protagonista como um eco distante, intensificando a sensação de solidão sem buscar manipular as emoções do público. Os sons da floresta, o sussurro do vento e o gotejar da chuva se integram à narrativa — uma técnica que remete ao cinema naturalista de Terrence Malick.
5 - Temas e mensagem
Perdido na Montanha é, essencialmente, um filme que aborda a resiliência e a fé. Aqui, a fé não é religiosa no sentido tradicional, mas sim uma confiança fundamental na vida, mesmo quando tudo parece desmoronar. O desfecho, embora não apresente grandes reviravoltas, é profundamente humano e transforma a sobrevivência em um meio de reconciliação com o mundo.
Além de ser um relato de aventura, o filme aborda a conexão entre o homem e a natureza, bem como o medo e o aprendizado que surgem do isolamento. Trata-se de uma narrativa de resistência, porém também de redescoberta do sentido de estar vivo.
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