Nesta edição de Rei Conan da editora Mythos temos quatro histórias disponíveis. A Cidadela Escarlate, A Fênix na Espada, Deus da Meia-Noite e Demônios de Khitai.
Elas possuem equipes criativas diferentes, nesta resenha iremos abordar duas histórias, A Cidadela Escarlate e A Fênix na Espada, ambas são dos mesmo autores.
Timothy Truman no roteiro e arte de Tomás Giorello. No futuro próximo teremos resenhas das outras duas histórias que são escritas e desenhadas por outros artistas.
. Resenha
Os arcos A Cidadela Escarlate e A Fênix na Espada, ambos escritos por Timothy Truman para a série King Conan, integram a etapa da Dark Horse Comics voltada para a adaptação direta dos contos originais de Robert E. Howard. Esse é um momento significativo, pois procura preservar a fidelidade literária ao material pulp clássico, enquanto conserva a linguagem visual contemporânea dos quadrinhos.
A Fênix na Espada
A Fênix na Espada, uma adaptação de Timothy Truman baseada no conto clássico de Robert E. Howard traz um Conan que já se afastou da imagem do aventureiro errante. Ao ocupar o trono da Aquilônia, ele se encontra rodeado de intrigas políticas e mágoas da nobreza, que nunca aceita completamente a ascensão de um bárbaro ao poder. A história se desenvolve como um drama de corte, em que o perigo não se limita apenas a espadas, mas também a conspirações silenciosas.
O roteiro destaca o isolamento do rei, explorando seus pensamentos e dúvidas com uma abordagem mais introspectiva do que o costume nas narrativas do personagem. Truman investe em uma narração rica e densa, frequentemente alinhada ao texto literário original, conferindo à HQ um ritmo mais reflexivo. Nesse cenário, Thoth-Amon aparece como uma ameaça que vai além do âmbito político, introduzindo o elemento sobrenatural que caracteriza a obra de Howard.
Visualmente, a narrativa — geralmente ligada ao estilo de Tomás Giorello — intensifica o impacto dramático da trama por meio de cenários minuciosamente elaborados e uma atmosfera sombria. Os ambientes palacianos são descritos como frios e sufocantes, espelhando o estado mental de Conan. A ação, embora existente, é contida e pontual, funcionando mais como clímax do que como motor constante da história.
Em suma, A Fênix na Espada se sobressai por sua lealdade ao espírito original de Howard e por apresentar uma versão mais humana e vulnerável de Conan. Trata-se de uma narrativa que aborda tanto o poder e a legitimidade quanto a identidade — um monarca que, mesmo com a coroa, permanece sendo um estranho em seu próprio reino. Truman apresenta uma adaptação robusta, que prioriza a atmosfera e a profundidade temática em detrimento da simples aventura.
A Cidadela Escarlate
Em A Cidadela Escarlate, Timothy Truman expande a história e coloca Conan em uma trama mais violenta e claustrofóbica. Depois de uma derrota militar, o rei é capturado e levado a uma fortaleza controlada por forças arcanas, onde se torna prisioneiro de adversários que atuam no plano físico e no sobrenatural. A premissa já sugere uma alteração no tom: neste caso, o horror toma o lugar da política.
O roteiro cria um clima opressivo, caracterizado por torturas, criaturas grotescas e uma sensação constante de decadência. A cidadela atua quase como um personagem, um ambiente dinâmico e hostil que desafia os limites físicos e mentais de Conan. Truman demonstra habilidade ao abordar o sofrimento do protagonista sem despojá-lo de sua força, enfatizando que sua verdadeira potência está na resistência e na determinação de sobreviver.
A arte de Tomás Giorello, é essencial para o efeito da obra, apresentando cenários labirínticos e uma estética que remete ao horror lovecraftiano. As criaturas e os ambientes são retratados com grande riqueza de detalhes, gerando uma sensação constante de desconforto. Ao contrário de A Fênix na Espada, neste caso a ação é mais visceral, com lutas intensas e sequências de fuga que mantêm o ritmo rápido.
Como consequência, A Cidadela Escarlate se destaca como uma das narrativas mais sombrias do ciclo de Conan nos quadrinhos. Enquanto a anterior abordava o peso da coroa, esta mostra o corpo do rei em agonia, reduzido à condição de mero sobrevivente. Truman consegue conciliar a fidelidade ao conto original com uma abordagem visual marcante, proporcionando uma narrativa que é simultaneamente brutal e intensamente atmosférica.
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